sexta-feira, 24 de junho de 2011

Peças do Quebra-Cabeça

Eu não sei explicar muito bem como tudo começou ou como deveria ter começado. É o tipo de coisa que a gente sempre tenta definir: "a partir desse momento tudo estava diferente". Já tentei diversas vezes apontar o fator de mudança ou o momento exato em que aconteceu, mas nunca consegui.

Eu era essa fortaleza, resistente, opressor, invencível e, de alguma forma você conseguiu se meter entre as frestas, devagar, sem fazer alarde e quando eu percebi o que estava acontecendo, já era tarde demais: você me ensinou um jogo que eu não conhecia e que você tinha dúvidas sobre as regras e quando eu percebi estávamos perdidos na mesma partida mas, com certeza, ganhando.

Sempre demos nomes diferentes para as mesmas coisas e sofremos muito com as nuances perdidas nas traduções. São laços que nunca conseguiram ser desfeitos entre o teu desinteresse e a minha falta de jeito. Sempre que estamos juntos eu olho nos teus olhos e não consigo ver o que eles vêem em mim mas sempre me sinto orgulhoso por que eles conseguem ver alguma coisa que te faz estar perto. Talvez eu não consiga ver nada porque me perco na profundidade do teu olhar, na delicadeza dos traços do teu rosto, na vontade quase incontrolável de te tocar e te beijar quando estamos juntos. E teu cheiro, teu perfume.

Acho que se você conseguisse, por 1 segundo, se olhar pelos meus olhos entenderia um pouco disso ou, talvez, nunca mais olhasse para mim: poderia ser muito para aguentar e sei que minha loucura pode ser um tanto quanto incompreensível.

Sei que as vezes pode parecer que eu não valorizo nada ou que eu não percebo, mas foram teus os melhores presentes que ganhei na vida. Seja um livro que eu não esperava, um sorriso para uma piada sem graça que eu fiz, um modelo 3D baseado em mim ou um beijo inesperado após meses de brigas, tudo isso significa muito. E você nunca fez com que eu me sentisse deslocado, com que eu me sentisse diferente. A acolhida que tenho, não só nos teus braços, mas nos teus olhos, nos teus gestos, na tua compreensão, é algo que não consigo mensurar.

E eu sei que as vezes eu boto os pés pelas mãos. Eu sei que as vezes eu penso (e até falo) bobagens ridículas, que mais parecem coisas de criança do que de alguém supostamente adulto - posição das letras no teclado? Mesmo? - mas eu tenho essa tendência a ficar eufórico quando as coisas estão bem entre a gente, porque é só isso que me importa, na verdade. E se alguém me perguntar eu tenho uma facilidade enorme de ficar falando horas a fio sobre o quanto eu gosto de você e o quanto você é especial.

E eu também sei o quanto eu incomodo com as minhas neuroses e com alguma atitude que pode parecer estúpida, de início, mas o fato é que sempre foi muito difícil para mim te trazer para perto e agora que você está aqui eu não quero te perder. O único medo que eu tenho é que eu me torne mais um com pensamentos nobres e nenhuma atitude. Talvez eu já tenha sido assim mas não quero ser novamente.

Não quero perder os momentos especiais entre as correrias e obrigações do dia a dia, não quero esquecer de planejar um piquenique às margens do Siena porque me perdi fazendo uma declaração de imposto de renda fora do prazo. As vezes eu tenho uma sensação de que se eu não abrir meu peito com um canivete enferrujado e te mostrar o que tem nele, vou acabar te perdendo em algum detalhe que não consegui decifrar. Talvez ainda sejam regras daquele jogo que estamos tentando interpretar.

Cada segundo ao teu lado é uma nova nuance a ser descoberta, é um novo mistério a ser desvendado e é um quebra-cabeça que eu não tenho pressa nenhuma de montar. Na verdade, acredito que ainda nem tenho todas as peças.

Loooooooosely inspired by:

domingo, 12 de junho de 2011

Olhando Adiante


E foi assim que aconteceu, sem mais nem menos. Na verdade com muito mais menos do que mais. Cansado de ser sempre reduzido ao mínimo múltiplo comum, ele simplesmente explodiu. Ele acreditava em tanta coisa, queria tanta coisa, sabia que tinha tanta coisa para extrair daquilo e, enquanto ia embora, juntando seus trapos e seus cacos, tudo que ele pensava era triste.

Alguns pensamentos de raiva passaram, constantemente, pela cabeça dele nos primeiros dias. Raiva que foi trazida pela angústia de saber que tinha em mãos algo realmente especial e que estava sendo sumariamente deprezado em busca de, se possível, algo melhor. Não para ele. Conforme a angústia foi se transformando em luto, apenas as incoerências e as coisas ditas sem sentido ecoavam no quarto gelado. Afinal, o que queria dizer tudo aquilo?

A única coisa que ele ainda tinha certeza era sobre o que ele sentia e sabia que seria muito difícil mudar tudo, de uma hora pra outra, mas que ele precisava, ao menos, tentar. A única dúvida que ele tinha era sobre como alguém consegue virar as costas e fechar os olhos para algo tão significativo e real. Todo o resto parecia irrelevante naquele momento.

Coragem de ir embora nunca foi problema para ele. A diferença é que das outras vezes ele não tinha motivos para ficar.

terça-feira, 12 de abril de 2011

Crônica de Uma Morte Anunciada - Parte 2

- Afinal o que faz sentido, Thomas?
- Tudo!
- Tudo o quê? Cara, faz tempo que eu acho que tu não bate bem...

E assim que eu terminei de completar a última palavra e o que era para ser vírgula virou reticências, Thomas desandou a falar. Despencou palavra atrás de palavra como uma avalanche, uma árvore caindo. Percebi que a chamada na minha janela era apenas o grito do lenhador: "Madeeeeeira". E o que ele falou foi mais ou menos isso:

"Eu acho que nunca bati tão bem em toda minha vida. Se tivesse que fazer qualquer comparativo ridículo que validasse essa expressão bisonha, eu diria que bati na cabeça do prego, com o melhor martelo.
O que acontece é que há anos estamos condicionados, pela mídia, pela tv, pela literatura e pelas próprias mulheres, à vê-las como esses seres indefesos e indecisos procurando apenas a felicidade com boas intenções e bom uso de sua capacidade intelectual superior. Sim, eu não discuto, as mulheres são mais inteligentes do que os homens. E te procurei para falar sobre isso porque sei que tu não tentaria filtrar meus comentários como machistas ou não machistas, homofóbicos ou não homofóbicos. Simplesmente como comentários.
E também sempre fomos bombardeados com essa figura romantizada sobre o romantismo feminino, daquela imagem da mulher esperando o guerreiro voltar, tecendo tapetes, olhando pela janela até a vista cansar.
Pura besteira. Mulher nenhuma espera e, se espera, não está esperando pelo homem em si mas sim pelo que ele representa ou o que pode vir a representar - um herói de guerra, um astronauta desbravador, um músico que colherá os louros de uma turnê pela europa.
Acho que todas essas estórias, a maioria escrita por homens, serve apenas como cortina de fumaça para esconder a verdade e, em suma, as próprias fraquezas de quem as escreve: o homem é a figura frágil, o homem é o romântico, o homem é quem está na guerra e, numa situação onde normalmente morreria, cairia de joelhos para a força inimiga, se está apaixonado e ama uma mulher, luta e resiste para voltar a encontrá-la.
Um homem é capaz de assumir um filho que não é seu, é capaz de mudar seu endereço apenas para estar perto da mulher que ama, mesmo que isso não lhe garanta que ela o amará. Um homem é capaz de trocar de emprego ou recusar uma proposta melhor por uma mulher Um homem é capaz de se matar por uma mulher. Uma mulher só se mata por ela mesma.
E, sinceramente, eu não acho que algo esteja errado nisso tudo. Acho que é só reflexo da inteligência das mulheres, aliada a alguma coisa de instinto. Por mais que um relacionamento esteja bem e uma mulher esteja, supostamente, apaixonada, ela SEMPRE está olhando para o lado.
Não, não estou chamando nenhuma mulher, nem a tua namorada nem a minha mãe, de vagabunda. Apenas estou dizendo que, há muitos anos, as mulheres conseguiram abstrair o estar e se esforçar para se manter apaixonada e, realmente, amando e se dedicando a uma relação. Talvez essa seja a evolução, talvez esse seja o caminho para qual, a passos largos, estamos andando. E é isso que eu descobri, nessa viagem que eu fiz, com a Natália, para o sul da França. Mas isso eu te conto outro dia. E, a moral da estória, é que um homem, quando encontra uma mulher, não muda e não quer que ela mude. Ele permanece estático, em relação a sentimentos e atitudes e espera que a mulher também. A mulher, por sua vez, muda e espera que o homem mude. E, assim, cada vez mais se afastam, logo depois de estarem mais próximos do que nunca.

terça-feira, 20 de abril de 2010

Open Your Eyes

- Mas afinal, o que tu quer?
- Eu? Sinceramente, eu só quero te fazer feliz. E quando tu estiver feliz, eu quero te fazer mais feliz ainda. Como? Não faço nem idéia, concreta, de como conseguir. Mas eu sei que eu quero. E eu me acho plenamente capaz de conseguir. A gente vai viajar e vai conhecer lugares novos, e isso vai te fazer feliz. E quando essa felicidade estiver quase esgotando, a gente muda de emprego, ganha mais dinheiro, enfrenta novos desafios, e isso vai te fazer mais feliz. Só que eu sei que isso não vai ser suficiente, então nós vamos guardar dinheiro e vamos levar teus pais para Paris e a felicidade deles vai te fazer bem. E daí nós vamos passar um tempo sozinhos, numa praia distante ou numa cachoeira que a internet não descobriu ainda. E depois vamos levar os meus pais para o Egito e comer no MacDonalds olhando as pirâmides vai te fazer feliz, eu sei. Mas não vai ser o suficiente e daí eu vou ter que tentar outra coisa, provavelmente alguma coisa que eu nem saiba ainda, mas eu vou saber. Eu vou saber porque a gente vai ter vivido tudo isso junto e cada vez mais eu vou saber o que tu quer e como tu quer. E te fazer feliz, vai me fazer feliz. E eu estando feliz, vou conseguir te fazer mais feliz. É até simples demais, essa teoria, no fim das contas, mas funciona. E então, o que tu acha?

- Thomas?! THOMAS!? THOMAS! THOMAS! THOMAS!

Em meio aos gritos, Thomas ouvia palavras desconexas, frases em outras línguas, risadas malígnas, gargalhadas macabras. "Abra los ojos", "open your eyes", "Stop dreaming, live a life!". Thomas abriu os olhos.

- Cara, tu me assustou! Estávamos quase chegando, tu tava dormindo e começou a ficar com uma cara de feliz e a balbuciar algumas palavras. Tentei te acordar no pedágio, mas não adiantou, desculpe, tive que começar a gritar. Afinal, com o que tu tava sonhando?
- Ela.
- Ela?
- É, ela.

domingo, 10 de janeiro de 2010

Crônica de uma morte anunciada - Parte 1

Antes de eu começar a falar sobre o que eu realmente quero falar, gostaria de fazer um pequeno parágrafo para descrever e, talvez, fazer justiça a esse cara chamado Thomas Loathing.

Conheci Thomas durante um inverno londrino, num pub que hoje nem existe mais. Virou uma loja de CD, depois um outro pub e, recentemente, uma Apple Store. A vida é uma merda. Ele tinha saído há pouco do Brasil e eu já estava em Londre há, pelo menos, 5 anos. Me aproximei dele porque reconheci a camisa do Grêmio. Eu sou colorado mas, mesmo assim, ver aquela camisa número 16 do time rival a uns milhões de kilômetros de casa me fez sentir como se estivesse em Porto Alegre de novo.

Começamos a conversa de forma fria, ele não parecia ter muitos trejeitos sociais e me lembrava muito de mim mesmo. Ele só fez uma exigência: que não falássemos em português. Não estava muito a fim de se sentir no Brasil naquele momento, segundo ele, e, se quisesse, estaria lá. Eu nunca perguntei do que ele fugia e talvez essa seja a minha maior curiosidade sobre ele até hoje, mas mantivemos um pacto silencioso e não documentado de não falarmos sobre isso. Eu tento respeitá-lo.

Thomas era muito famoso, no mundo inteiro, mas eu não o conhecia. Ele começou como baterista de uma banda que fez muito sucesso na Europa e no Japão, ganhou muito dinheiro com turnês e contratos de discos com gravadoras e, no auge, prestes a estrelar um VMA, ele saiu da banda. Alegou diferenças irreconciliáveis com seus parceiros e passou 6 meses sem ser visto, lido ou ouvido. Nem mesmo sua família sabia para onde tinha ido, se é que tinha ido para algum lugar. Falando com Thomas ele me disse, anos depois, que essas diferenças irreconciliáveis sempre existiram, mas ele aguentou o quanto pode. Três anos depois lançou, de forma independente, na internet, o album "Suicide OST: A fairy tale stared by me". Eram 14 canções, todas escritas, arranjadas e tocadas por ele. Depois, a cada 3 meses, lançava um disco novo. Sempre uma trilha sonora para um filme que não existia. "Damaged Soul OST: An horror tale stared by mom", "Back Off Bitch OST: Porn Without Sex", "He and her OST: The name of the pain" e, por último, "30 Days of sunshine and a life full of nights OST: I'm up to no good" foram lançados e ele se tornara o queridinho dos modernérrimos e dos ricos chatos. Tudo isso deprimia ele demais, mas ele ficava meio assim no começo, depois ele ria.

Algumas semanas depois do lançamento de "30 Days..." que o conheci. Passamos horas conversando sobre estórias da estrada, sobre música, filmes, a parceria com Axl Rose na música "Maniac", a vez que Thomas ignorou Paul McCartney por achar que não era ele, a vez que bebeu com Michael Stipe, a noite que acordou na casa de Scarlett Johanson, antes mesmo de Lost In Translation, e muito mais.

Agora que vocês sabem isso sobre Thomas, acho que posso ir ao ponto. Nossa amizade sempre foi estranha, as vezes ficávamos meses sem nos falar, e depois passávamos 18 dias juntos, fazendo desde supermercado até degustação de vinhos na Itália. Num desses hiatos, em que estava há meses sem ouvir de Thomas, o telefone toca:

- Cara, to aqui embaixo, desce aí, vamos dar uma volta.
- Eu to meio ocupado, Thomas. Pode ser depois?
- Na verdade, não. Vamos lá! Tu não pode ter nada melhor para fazer agora!
- Tá, me dá uns minutos...

Fomos para um pub em uma cidade vizinha e Thomas, após ter sua cerveja servida e o primeiro gole saboreado, começou:

- Tu pode não acreditar, mas... Eu descobri. Tudo faz sentido, tudo. Desde a falta de vontade até a excitação juvenil de uma tatuagem com o desenho mais bizarro que alguém pode ter.

[CONTINUA]

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Somos pessoas diferentes. Ou não. [cena 4]

Natália abriu a porta e continuava linda, talvez mais linda do que jamais foi. Estranho como ela já não parecia mais a mesma pessoa de anos atrás. Tinha algo nela diferente, um certo aroma, um ar de tranquilidade que a antiga Natália nunca teve. O tempo tinha lhe feito muito bem, tirando dela o ar de menina inocente e substituindo por um olhar profundo e cativante, perigoso inclusive.

- Oi! Tava te esperando daqui há uns 15 minutos, senta aí que eu já volto.
- Tá, tudo bem...

Ele conseguia ouví-la conversando com o cara que tinha atendido o interfone, conseguia entender algumas palavras, mas achou que não deveria ficar prestando atenção nisso. Tentou ficando analisar o que era aquele lugar, quem eram as pessoas nas fotos dos porta-retratos cuidadosamente colocados na estante, o que significavam os quadros, quais eram os livros que estavam na estante. Pela primeira vez se sentia parte da vida dela, olhando-a realmente de perto. Era estranho estar assim tão próximo e ao mesmo tempo tão distante.

- Olá, meu nome é Pedro, tudo bem?
- Oi, sou o Thomas.
- Prazer, Thomas. Eu já estou de saída. Vou deixar vocês conversarem com calma. A Natália me disse que vocês são grandes amigos, devem ter muita coisa para botar em dia. Faz tempo que vocês não se falam né?
- É, muito tempo.
- Vou indo então. Até mais!

Thomas nada falou. Ele não era, por natureza, a pessoa mais cativante do mundo e nunca soube lidar com esse tipo de situação. Não seria ali, naquele justo momento, com toda a carga de estresse que carregava, que aprenderia. Natália levou Pedro até a porta e se despediu dele com um beijo, na boca, carinhoso e afetivo. Seria mais eficiente se tivesse pegado uma faca, enferrujada, suja e quebrada, e tivesse cravado no pescoço de Thomas. A próxima coisa que chamou atenção de Thomas, e não tinha como ser diferente, foi a aliança dourada, grossa e imponente, que estava no dedo de Natália.

- Então, você casou? Parabéns!
- Obrigado! É, loucura...
- Nem me fale... Mas como isso aconteceu? De onde vocês se conhecem?
- Ah, a estória é longa, não sei se tu iria querer ouvir.
- Temos a tarde toda. Eu acho, não sei, tu tem que sair?
- Não, não tenho. Você quer algo para beber?
- Não...
- Ok, bom, quando fui embora de Porto Alegre eu fui para Florianópolis...

Thomas levantou, impaciente. Começou a andar pela sala em movimentos irregulares, não conseguia pensar em mais nada, as palavras que ela falava entravam por um ouvido e não saiam pelo outro: ficavam reverberando junto com todos os ecos que ele já tinha na cabeça.

- Ah, que se foda! - Falou Thomas, ainda não gritando, mas sendo mais enfático, mais duro do que tinha sido até agora, como se tudo tivesse sido inseguro até esse momento de lucidez e segurança. - Eu não quero saber como tu conheceu esse cara, eu não quero saber de porra nenhuma! Também chega desse joguinho de ser sociável e todo cheio de dedos e padrões, robôzinho perguntando sobre o tempo e o trabalho, será que vai chover? Eu não suporto esse tipo de papinho casual. Não é para isso que vim aqui! Não é!
- Para quê que tu veio então?
- Como assim pra quê? Eu vim por tua causa!
- Por minha causa, Thomas? Por minha causa? Porra, tu nem me conhece!
- Ah é, todo esse papinho de novo...
- Sim, todo esse papinho de novo, sim. O que a gente teve, há muito tempo atrás, foi algo especial, mas foi curto, a gente nem se conheceu direito, não deu tempo nem de nos odiarmos! E não sei porque tu fica com isso na cabeça! Tu nem me conhece, porra! E hoje em dia então? Nós somos pessoas diferentes!
- Eu te conheço, sim! Eu te conheço como ninguém mais te conhece. Eu te conheço despida de toda essa fortaleza que tu monta, de toda essa imagem de pessoa alegre, desse sorriso falso que tu usa na frente do rosto todos os dias.
- Tu tá me chamando de falsa, ainda? É isso?
- Tu sabe do que eu tô falando. Tu sabe! Nós somos iguais, nesse ponto. A diferença, tu quer saber qual é? É que tu conseguiu me despir de todas essas coisas, só que eu nunca mais consegui me vestir de novo. Eu nunca mais consegui ser casual, eu nunca mais consegui ficar na superfície. Porra, eu nunca mais consegui olhar para mulher nenhuma sem comparar ela contigo!
- Isso é doentio, Thomas!
- Não é doentio! Eu te tive nos meus braços, tu dormiu no meu peito. A gente passou horas conversando, a gente dividia uma caixa de giz de cera e fazia o mesmo desenho com cores diferentes! Tudo aquilo não pode ter sido "nada", não pode ter sido em vão!
- Não foi! Eu nunca disse que foi em vão, que era nada!
- Então? Por que o Pedro e não eu?
- Ah, meu Deus. Não tem nada a ver contigo!
- Claro que não! Lá vem tu, de novo, com essa máscara de pessoa cuidadosa, a boa samaritana! Tu não precisa te preocupar com a minha auto-estima, Natália. Eu já faço um ótimo trabalho destruindo ela todos os dias.
- Não é isso. Não era para ser, só isso.
- É, simples assim! Casualidade! Destino!
- Sim, destino!
- Foda-se o destino! Eu tava sendo irônico!
- Pôxa, mas porque tu ficou tão apegado assim? Foi pouco tempo! Tu não pode ter te apaixonado, pode ter sido carência, idealização.
- É, vai ver foi isso mesmo. Por 7 malditos anos eu tenho estado com uma crise de carência. Porra, tu realmente não me conhece!
- É isso que eu tô dizendo. Aliás, venho dizendo isso há anos, por email, carta, cartão postal.
- É? E por quê tu simplesmente não sumiu e me deixou em paz, se é "só" por isso?
- Porque eu gosto de ti, porque eu me preocupo contigo, eu quero saber como tu tá!
- Foda-se isso! Se tu não consegue nem entender como ou porquê eu me apaixonei por ti, tu não pode gostar de mim.
- Talvez eu não possa mesmo, ou não consiga, por mais que eu queira.

Silêncio. Silêncio que só foi quebrado por Thomas, bem mais calmo, abalado e, quem sabe, aliviado por ter tirado tudo aquilo do peito, falando calmamente a Natália:

- Sabe, o pior, é essa sensação de que tu é a pessoa certa, de que tu resume em uma figura tudo que eu sempre quis da vida. E eu já te tive aqui, comigo, e aquilo não foi de graça. É essa sensação de tudo que poderia ter sido, de ser eu o cara naquelas malditas fotos, de ser eu o cara nas tuas lembranças, de ser eu contigo todas as noites.

Silêncio. Mais uma vez a conversa chegava num ponto que machucava demais os dois. Natália tentou explicar:

- Eu sempre achei que a gente poderia realmente ter dado certo, mas a gente se conheceu no momento errado. E talvez por isso eu tenha te guardado com tanto carinho na minha lembrança. Tu é talvez a única coisa boa que me aconteceu naquela época. É como se tu fosse um porto seguro. Talvez por isso que eu sempre quero saber como tu tá, quero falar contigo.
- Caralho, de homem da tua vida a souvenir de beira de estrada. Puta que pariu, acho que nunca tive um choque tão grande de expectativa versus vida real. Acho que tu não consegue nem perceber o quão egoísta é isso, da tua parte, sabendo de tudo que eu sinto por ti, de como eu me sinto.
- Eu sei, eu...
- Não, tu não sabe. Tu é uma pessoa ruim demais para saber. Se tu tivesse a mínima noção, tu não faria isso, nem comigo nem com ninguém. E ainda me convida para vir aqui, com teu marido? Que porra é essa?! Tu acha que eu sou teu palhaço? Me faz um grande favor, e eu vou te falar isso uma vez só: some da minha vida! Nunca mais entra em contato comigo. Se tu me ver na rua, atravessa para o outro lado, se lembrar que eu existo, toma um porre até esquecer. Tu é um câncer e esse tipo de doença a gente tem que evitar. Eu espero, realmente, que um dia o teu marido acorde e veja a pessoa ruim, podre, que tá do lado dele e te faça sofrer, muito, porque tu merece.

Nesse momento, Thomas sentiu que pegou pesado, que era a coisa errada a se dizer, mas não se importou. Era como se ele tivesse chegado ao topo da montanha, como se tivesse aberto os olhos após 7 anos de cegueira. Ele finalmente conseguia enxergar na escuridão. Todas as vezes que ele esperava um aceno, uma migalha de Natália, ele estava apenas sendo um fantoche nas mãos de uma pessoa fraca, muito mais frace e danificada que ele próprio, e isso fazia bem a ele. De um jeito amargo, Thomas sentia finalmente que um dia conseguiria experimentar o doce.

Natália chorava, quieta, mas compulsivamente. Pela primeira vez, o choro dela não comoveu Thomas. Ele foi vagarosamente até a porta, abriu, olhou mais uma vez para as fotos na estante e riu. Aquilo tudo era, no fim das contas, muito engraçado. Ele nunca teria conseguido usar terno e gravata no casamento.

Thomas olhou para tráz, pela última vez. Viu Natália, que continuava linda, talvez mais linda do que jamais foi. Estranho como agora ela parecia a mesma pessoa de anos atrás. Tinha algo nela que remetia a 7 anos atrás, um certo aroma desesperado, um ar de conflito que a antiga Natália sempre teve.

De hoje em diante, Thomas iria olhar só para a frente, para o alto, e avante.

domingo, 8 de novembro de 2009

Somos pessoas diferentes. Ou não. [cena 3]

07:00.
A luz do sol já começava a esquentar a janela, mas era sábado, sem trabalho, sem compromissos, não havia porque estar acordado a essa hora. A não ser que você estivesse sem dormir. Era por isso, talvez, que Thomas ainda olhava para a capa dos discos ou para os quadros pendurados na parede. Começava a ficar calor, mas ele não conseguia sentir nada.

Ainda faltavam 7 horas até o tão famigerado encontro, mas ele já estava há 28 sem dormir. Talvez há muito mais que isso sem conseguir relaxar ou parar de pensar em quão louco tudo isso era. Há 7 anos ele esperava esse momento: poder olhá-la nos olhos e dizer tudo aquilo que guardava, escondido como um cadáver no porão ou como um vinho raro numa adega. Ele queria perceber a reação dela e ainda esperava, secretamente, que isso pudesse comovê-la a ponto de conseguirem contruir uma máquina do tempo. Ou ele só queria atingí-la, derrubá-la. fazê-la sofrer. A essa altura do campeonato, nada mais importava. Ele já havia desistido de entender como se sentia.

Mas pelo menos ele ainda podia tentar entendê-la. Quais eram suas motivações? Porquê ela resolveu procurá-lo? Porquê agora? Como que ela ainda não tinha lhe esquecido? Porquê ela não esqueceu? O que ela fazia de volta em Porto Alegre? Porquê fazer algo tão planejado, com tanta antecedência? Porquê ela tinha ido embora daquele jeito? Porquê ela simplesmente não morreu? Seria mais fácil para todos os envolvidos.

Os minutos passam muito devagar quando se está há anos esperando por um momento, só que agora, assim tão perto de poder eliminar todo o excesso de bagagem que vem carregando pelos últimos anos, Thomas já não sabia mais o que dizer. Pelo menos às 7:35 da manhã desse sábado ensolarado ele não sabia. A cada minuto que passava ele parecia encolher cada vez mais. Se sentia sendo retrocedido, rebobinado, apagado.

Saiu da cama, ligou a TV, o computador, desativou o alarme do celular. Precisava de distração, entretenimento. Leu todas as notícias de todos os jornais do mundo, assistiu a todos os 539 canais da TV, ouviu todas as rádios e ainda não era 9 da manhã. Pensou num banho e só quando já estava se vestindo novamente viu que não precisava de roupas, pois estava envolto em agonia e ansiedade. Precisava de algo mais forte para acalmá-lo. Uma pena que as drogas, a bíblia ou a música já não prendiam mais a sua atenção. Pegou o primeiro livro que achou pela frente e começou a devorar as palavras como se fosse faminto, esfomeado, sedento. Precisava parar de pensar no que vinha a seguir.

3 livros e 420 páginas depois, estava na hora de comer algo. O pescoço já estava doendo e as mãos não eram mais tão ágeis em virar as páginas como há algumas horas atrás. Faltava pouco menos que 3 horas para encontrá-la e Thomas não tinha mais noção de tempo, espaço ou temperatura. Tomou outro banho, precisava se barbear, escovar os dentes, tentar esconder as olheiras e a pele castigada pela falta de sono.

13:00.
Uma hora, apenas, para tudo que estava represado acontecer. Ele já estava pronto mas não sabia mais calcular quanto tempo levaria para percorrer, de carro, 21 KM. Será que sair agora seria uma boa? E se furasse um pneu? E se batesse o carro? Será que já deveria ter saído? Resolveu não arriscar e sair de uma vez. O percurso foi mais rápido do que ele esperava, pois nesse horário no sábado não tem muito trânsito e menos de 30 minutos depois ele já estava parado em frente ao prédio de Natália.

Parecia que estava indo para uma entrevista de emprego. A sensação era a mesma: tinha experimentado 4 camisas diferentes antes de sair, tomado banho, passado mais perfume do que deveria, penteado o cabelo mais vezes do que todo o mês de julho, pensava se deveria chegar 15 minutos antes e se tinha que ter levado currículo impresso. Ou não.

Saiu do carro. Decidiu que ia pegar no mercadinho da esquina uma coca-cola e iria de uma vez para o encontro, mesmo que isso mostrasse o quanto ele estava ansioso, mesmo que isso mostrasse o quanto ele queria estar com ela, mesmo que ela não percebesse tudo isso. Mas ele sabia que era tudo verdade e isso é o que importa, no fim das contas.

Chegou na frente do prédio, procurou pelo interfone. Ainda não acreditava que estava fazendo isso. 403. Apertou e esperou.

- Oi?
- Oi, é o Thomas, eu vim para ver a Natália.
- Oi Thomas, estávamos te esperando, pode subir.

A voz masculina que atendeu o interfone fazia tudo fica mais bizarro ainda. Que piada de mal gosto era essa? E porque ele não conseguia rejeitar o papel de palhaço?

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Somos pessoas diferentes. Ou não. [Cena 2]

Quatro horas da manhã. 4:12 mais precisamente. Sala branca e fria de espera de um hospital mais limpo do que deveria e menos silencioso do que todos gostariam que fosse. Esse silêncio os deixava em contato com tudo de ruim que lhes passava pela cabeça.

Algo rompeu esse silêncio, quebrando a monotonia da espera que já durava algumas horas sem resposta, sem noção.

- Oi, a moça me disse que foi tu que trouxe a Sofia.
- Sim, fui eu. Quem é você?!
- Eu moro com ela, ela estava vindo para cá quando tudo aconteceu. Como ela tá?!
- Não sei. Realmente não sei. Eles vieram aqui há uns 42 minutos, mas logo sumiram e ninguém me disse mais nada! Ela tava muito mal quando chegamos, só falava que eu tinha que te avisar e ficava repetindo o teu número.
- Que merda.
- É... E ficava dizendo para que eu te acalmasse quando tu chegasse. Que tudo daria certo.
- Não é do feitio dela dizer esse tipo de coisa... Ela sempre diz que quem diz isso está mais desesperado ainda.
- Talvez ela precise que tu não esteja desesperada.
- Não tenho como não ficar. Não agora.
- Tu precisa te manter calma. Não é uma situação fácil ou para a qual alguém está preparado para lidar. E ela ainda vai passar por algumas cirurgias, depois de tudo isso, talvez fisioterapia.
- Eu preciso de uma coca-cola, de café, qualquer coisa. Eu nunca fui boa nesse tipo de situação.
- Não te preocupa muito com isso, eu te ajudo no que for preciso.
- Afinal, quem é tu?! De onde tu conhece ela?
- Do acidente. Eu tava saindo de um restaurante, quando ouvi os disparos e depois a batida. Fui o mais rápido que pude, fui a primeira pessoa a chegar a ela e logo depois atropelaram um rapaz quase do meu lado. Ele morreu. A noite está sendo bem pesada, eu nem sei como ainda consigo lembrar de tudo com tanta clareza...

E assim como uma chuva de primavera que não avisa quando vem, ele desabou. Começou a chorar e compulsivamente soluçava e tentava continuar a conversa. Suas mãos tremiam, as pernas não paravam de balançar freneticamente e só conseguiu se acalmar quando as mãos dela tocaram as dele, pedindo para ele ficar tranquilo e tomar um copo d'água.

- Meu nome é Pedro, com essa confusão toda nem me apresentei. Me desculpa.
- Tudo bem, Pedro. Fica tranqüilo. Se tu quiser ir embora, tudo bem, eu fico aqui com ela.
- Não, eu vou esperar. Eu prometi para ela que ia ficar com ela até que tudo ficasse bem.
- Tudo bem. Então eu vou na cantina pegar algo para a gente comer. Me espera, que eu já volto.

E assim ela foi, pensativa, abalada, emocionada e, ao mesmo tempo, confortada por essa atitude tão nobre de um estranho, que não tinha obrigação nenhuma e ali estava, apenas fazendo o que achava que devia fazer.

Somos pessoas diferentes. Ou não.

Sete anos. Malditos sete anos. Melhor se fossem nove. 9 é um número bom.

O email tinha chegado com uns três meses e meio de antecedência mas ele nunca mais tinha olhado naquela caixa postal. Maldita época tecnológica em que as pessoas tem diversos endereços. Nos últimos sete anos ele havia trocado duas vezes de endereço eletrônico. Primeiramente porquê o provedor, que na época era o maior do mundo, tinha falido. E depois, porquê ele tinha perdido a senha. Durante todo esse tempo ele nunca trocou o endereço de verdade. Seria melhor se tivesse sido uma carta.

O provedor antigo ainda fazia o favor de encaminhar todos os emails para o endereço novo de Thomas. Direto para a pasta de Spam. Uma vez por década ele passava os olhos rapidamente nessa pasta, vai que algo estivesse perdido por lá?! Quando o assunto "Estou voltando para POA..." chamou a atenção ele achou que era mais outra corrente, pois não se lembrava, muito bem, de nenhuma Natália. Pelo menos não com aquele sobrenome. Abriu o email e demorou 28 minutos até conseguir piscar novamente: era ela.

Entre "tudo bom?" e "até lá, então" um monte de palavras desconexas tentavam explicar o porquê da volta, como e quando ela gostaria de vê-lo. Depois do fim, um número de telefone para confirmar. Thomas confirmou no calendário: ela já estava em Porto Alegre há 7 dias e, pelo email, o reencontro seria na próxima semana. Ponderou durante 14 horas, ininterruptas, se deveria ligar ou não. Quando se decidiu, já era 7 da manhã. Seria melhor esperar até amanhecer.

O pensamento de Natália em Porto Alegre e o fato de ele não saber disso e poder esbarrar nela numa fila de cinema, na loja de doces ou no caixa do supermercado era mais atordoante que qualquer dor que ele já tinha sentido. Até mesmo pior do que a dor causada pela separação.

A noite foi gasta como um estalar de dedos lento, de um mágico tentando tirar a atenção do truque, e de repente já era tarde, novamente. Apenas mais uma noite sem pregar os olhos. Pegou o telefone, ligou, esperou pacientemente enquanto o telefone tocava uma, duas, três, todas as vezes. A ligação caiu. Achou que era um sinal. Realmente, não era para acontecer. Alívio. Enfim, adormeceu, às 14:00 de sábado.

Às 21 o telefone toca. Número privado. Não que fizesse muita diferença pois o sono arrebatador que tentava compensar em algumas horas várias semanas mal dormidas não deixava com que Thomas conseguisse ler nada no visor do celular.

- Alô?
- Oi, quem fala?
- Eu, ahmm, Thomas.
- Thomas?! Putz, OI! Aqui é a Natália.
- ...
- Alô?
- ...
- Thomas?
- Ahm, oi.
- Então, eu tava com esse número aqui, uma chamada não atendida.
- Sim, eu liguei antes. Recebi teu email.
- Achei que tu não queria me ver. Mandei há tanto tempo...
- É, é que eu recebi o email só hoje...
- Como assim?

Ele desistiu de tentar explicar. Desistiu de tentar entender. Incrível como que ela conseguia isso. Em 7 frases com poucas palavras, ela conseguia fazer ele se sentir a vontade, como ninguém mais conseguia. Parecia que não fazia 7 anos. Parecia que tinha sido ontem que eles se falaram pela última vez, na volta para casa, após mais um final de semana divertido. Parecia que tinha sido anteontem que eles tinham se falado pela primeira vez.

- É, longa estória. Te falo sábado que vem, assim teremos assunto.
- Ah, ok. Essa data fica boa para ti?
- Fica, fica sim. Que horas?
- 14, como tá no email?
- Ok. Tinha esquecido do email já.
- Até semana que vem.
- Ok, até mais.

Sete dias. Em sete malditos dias ele voltaria a vê-la. O que diabos pode ter acontecido com ela nesses últimos 7 anos? Com ele, quase nada, ou nada, aconteceu. Ele sabia disso. E tinha medo que a vida dela tivesse realmente mudado. Ou acontecido.

No fundo, ele sabia que desde aquele dia ele não vivia. Só fingia.
[CONTINUA]

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Atendimento da Saraiva: FAIL






Everton Olá Otto, em que posso ajudar?
Otto Meu pedido está como problemas no cartão, mas tem limite liberado, inclusive fui na operadora agora ao meio-dia
Otto Se for algum outro problema posso pagar a vista, por boleto, sem problemas.
Otto Pedido 14303360
Otto Cancelaram meu pedido sem nem ter o prazo de 24 horas que mandaram no primeitro email! Recebi os dois emails juntos! E o pior, perdi o cupom de desconto que tinha!
Everton Por favor, aguarde um momento.
Everton Seu pedido foi cancelado por medida de segurança, após a segunda tentativa de faturamento sem sucesso. Solicitamos que verifique com a administradora o problema com o seu cartão de crédito e efetue uma nova compra em nosso site.
Otto E o cupom de desconto e os pontos que tinha do Saraiva Plus?
Otto Tem como reabrir o pedido e trocar a forma de pagamento?! Posso pagar a vista com boleto bancário se for o caso ou pelo Itaú Bankline. Só não quero perder o desconto.
Everton o pontos sao estornados
Everton o cupom desconto so pode ser utilizado uma unica vez
Otto O cupom ainda não foi utilizado, já que a compra foi cancelada.
Otto Apenas quero o cupom de desconto de volta ou que seja emitido outro cupom e efetuo a compra novamente, sem problemas.
Otto ??
Evertono cupopm foi utilizado pois foi descontado no valor final do pedido
OttoTá, e o pedido foi cancelado erroneamente por vocês, pois eu estou com limite liberado no cartão e inclusive estou me dispondo a pagar a vista
OttoPosso pagar pelo Bankline ou boleto
OttoApenas quero o mesmo valor.
Ottohá como reabrir o pedido e solicitar novo pagamento? efeuto o pagamento agora mesmo
Evertono pedido esta cancelado nao e possivel reatiavar
Evertonnao ha como reativar
Ottoe daí eu perco o desconto? basicamente só eu sou prejudicado, é isso?
EvertonOs preços e condições de pagamento apresentados neste "site" não necessariamente valem para a rede de lojas físicas da
Saraiva, e somente são válidos para as compras efetuadas no ato da sua exibição. Apenas aos pedidos efetivamente
formulados e aceitos não se aplicarão eventuais alterações posteriores de preço.
OttoEu não to falando NADA de lojas físicas. To falando do site da saraiva. Eu apenas quero meu cupom de desconto, QUE NÃO FOI UTILIZADO, de volta
Evertonsenhora , o procedimento da saraiva a compra foi finalizada gerou numero de pedido
OttoSenhora?!
Evertono cupom foi utilizado abateu do valor final
Evertonnao pode ser utilizado novamente
Evertonalgo mais?
Ottotu resolveu alguma coisa para dizer "algo mais"?
Evertonsenhor ja repassri todo procedimento da saraiva.com
Ottoo cupom não foi utilizado. Obrigado por nada! ;-)

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Encontros Impertinentes II - A escolha de Sofia

Sofia sempre foi uma menina tímida. Namoricos, festinhas e sociais, desde o tempo de colégio, nunca fizeram sua cabeça. Sempre preferiu a companhia de bons livros, boa música e, depois da adolescência, de um bom copo de whisky ou vinho.

Com essa sua postura isolada e protegida, ela tinha sobrevivido a tarados, psicopatas e maníacos, porém a um coração partido ninguém resiste. Ou consegue se livrar. E era com essa sensação de desespero que ela dirigia o carro naquela noite. Embora tivesse um histórico de bebedeiras e algumas drogas, nessa noite ela estava sóbria, como há muito tempo não esteve.

Apenas pegou o carro e começou a dirigir, pela cidade, sem destino. Dobrou em esquinas onde sempre havia passado reto, fez trajetos que nunca tinha percebido e viu paisagens que nunca quis que existisse. Já era quase 11 da noite, quando parou numa sinaleira, em um cruzamento muito movimentado. Viu uma criança, não mais que 12 anos, pedindo para abaixar o vidro. Ela nunca faria isso, mas fez.

Baixou o vidro e se assustou quando, de trás da sinalização, uma voz grossa gritou: "Sai do carro, agora!". Em pânico, Sofia acelerou e enquanto vencia o cruzamento ouviu três disparos e o barulho perturbador de vidros estilhaçando. Sua pulsação estava a mil, não conseguia nem respirar direito. Acelerou muito, estava a mais ou menos 90km/hora numa avenida muito movimentada, quando sentiu algo quente escorrendo por seu corpo.

Olhou para baixo e viu sangue, muito sangue. Não conseguiu nem sentir a dor daquele tiro, certeiro, no peito, que agora lhe tirava as forças. O sangue, então vermelho, começava a escurecer, sua visão começava a ficar turva e seus sentidos alterados.

Viu um cruzamento, outra sinaleira fechada, vários carros parados. Tentou freiar, mas seu pé já não respondeu. Ao invés de sair do acelerador, o apertou mais para o fundo, ladeira abaixo, com a sinaleira se aproximando cada vez mais depressa.

Um estrondo foi tudo que ela percebeu. Havia acertado um carro parado, já não conseguia nem lembrar a cor. Enquanto seus últimos suspiros de vida iam escorrendo por entre os dedos, viu alguém saindo de outro carro para ajudá-la. Gritando para que ela aguentasse mais, que o socorro já estava a caminho.

Enquanto virava a cabeça, que tinha batido no volante e estava ensanguentada, para ver quem era esse estranho que queria tanto salvar sua vida, ouviu outro estrondo. Outra batida. E o seu salvador voando por cima de um carro preto.

Sofia tentou mas não conseguiu segurar uma risada, quase uma gargalhada, sincera e triste. A ironia era que ela tinha tantos compromissos marcados para os próximos dias, tinha enfim resolvido viver, sair do loop em que tinha estado nos últimos meses chorando um amor que só foi ruim. Havia marcado esteticista, cabelereiro, academia, escola de línguas - pois sempre quis aprender Alemão - e aulas de piano.

De tanto as pessoas pedirem para ela fazer isso, espairecer, mudar, ela fez. E pela primeira e última vez, Sofia fez algo porque os outros queriam.

Mais um dia, mais uma noite

Por mais uma noite eu tive que lutar para conseguir manter minha linha de raciocínio, minha paz de espírito, minha fé no que eu acho ser real. Por mais um dia eu convivo com o medo de que realmente me perdi, que já passei da última entrada ou da última saída, e ão consigo mais fazer uma frase com o que sinto.

E eu te vejo de longe, como se não conseguisse separar objeto e observador. Você tão linda e tão insegura, ainda reclamando da vida, como se nunca tivessem te dado nenhuma chance. E hoje é tão engraçado te ouvir dizer que você já não lembra mais das linhas que desenhou com seu giz de cera. É como se você tivesse esquecido que você mesmo as apagou.

E um dia, quando tudo isso tiver acabado, quero te olhar nos olhos e dizer que você é quem eu tinha escolhido. Que você foi a minha última chance de um amor romântico e sem interesses. Que você fez tudo colorido e sua ausência deixou tudo preto e branco. Mas que eu me acostumei com esse tom monocromático e estou feliz nele.

Hoje passo meus dias tentando dar nós em tornados, tentando manter as chamas longe do templo e se por um acaso eu te perdi ou escolhi te perder foi por amor. Por amor a mim, por amor a nós, por amor a tudo que nos fez juntos e separados, tudo que nos trouxe aquela doce e amarga solidão a dois.

E hoje eu fico implorando para que as pessoas me socorram, que me suportem, porque a cada passo eu desmorono. Eu já não estava mais acostumado a ficar sozinho mas o brilho apagado dos meus olhos refletem algo muito bonito, lá na frente, misturado a linha do horizonte. Algo bom nos espera.

Mas haverá uma outra noite, onde as coisas serão feitas do zero, onde tudo será bom e estaremos felizes, mesmo a kilometros de distância. Haverá outro dia, e todas as dívidas serão pagas bem longe daqui, ao sul, a toa, ao céu.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Encontros Impertinentes - Volume 1: O Beatlemaníaco

Assim que entrou no carro, antes mesmo de ligar o motor ou colocar o cinto de segurança, procurou pela frente destacável do rádio. Era quase onze da noite de um sábado frio, horário de um programa semanal que só tocava Beatles, e ele já devia estar perdendo a primeira música.

Não estava no porta-luvas, nem na bolsa lateral da porta. Passou a mão embaixo do banco, nada! Banco de trás, porta do passageiro, painel entre os bancos, nada. Quando estava começando a ficar decepcionado, percebeu que a frente já estava no rádio e ele nem havia tirado na noite anterior.

Ligou o som e ouviu os primeiros acordes de "Dig A Pony". A expressão entediada pela noite de sexta passada em claro com alguém que ele não se importava muito foi, acorde a acorde, sendo substituída por alívio e um sorriso começou até que abriu os pulmões em um "all i want is youuuu" que durou mais que a melodia permitia, mais do que a música queria e menos do que ele poderia gritar e querer.

Só ele, no fundo, sabia quem ele queria e porque aquilo tudo era muito irônico. Após uma noite e um dia com uma pessoa que ele não gostava, tudo que ele sentia era falta e solidão. Saudade, talvez. Sentimentos que só Lennon e McCartney sabiam anestesiar.

A próxima música era "I'm So Tired". Ele já deveria ter saído, mas continuava no estacionamento, sozinho, ouvindo ao programa. Um combo de "Dig A Pony" e "I'm So Tired" era demais para ele. Ficou ali, inerte, viajando com a letra direta e a melodia fácil. Sua mente se transportou para Abbey Road, parece que ele conseguia viver no estúdio com os Fab Four naquele clima tenso e desagradável de fim de casamento que o White Album marca.

Isso fazia ele refletir sobre sua vida, suas escolhas, suas canções feitas para uma banda e gravadas como um disco solo. Enquanto ele pensava nisso, o locutor anunciou "Beware of Darkness". Sim, músicas gravadas em carreiras solo eram permitidias. Principalmente músicas que foram tocadas pelos Beatles e não gravadas por eles, como a própria "Beware of Darkness" ou "Jealous Guy".

Ele ficou imaginando como "Beware of Darkness" soaria com os baixos de Paul, a bateria de Ringo, os backing vocals e a guitarra fora de tempo de John. A letra fazia muito sentido para ele, naquele momento:
"Beware of sadness
It can hit you
It can hurt you
Make you sore and what is more
That is not what you are here for"

Olhou para o relógio: 11:20! Já estava atrasado, não ia chegar no trabalho a tempo para o turno das 11:30. Mais uma vez ia ser repreendido pelo idiota do seu chefe, mais uma vez ia ter que ouvir sermão, mais uma vez ia ter que assinar uma advertência. Isso tudo já estava enchendo o saco.

Ligou o carro, aumentou o volume do rádio e acelerou rumo ao seu emprego. Ficava pensando o quão irônica era a situação de estar onde não queria, fazendo o que não gostava com pessoas que não suportava. Era carma ou apenas como a vida é? Era isso que os Beatles tinham ido descobrir com o Maharishi? Será que essas coisas do oriente, romances astrais, funcionavam só com os famosos ou ele deveria tentar?

Acelerou e aproveitou a ausência de movimento nas ruas para tentar ganhar alguns minutos. De longe, viu alguns carros parados, com os piscas-alerta ligados, decidiu contorná-los pela direita enquanto o telefone celular tocou. Era Melissa, com quem ele estava até alguns momentos atrás, ligando.

Ele não queria atendê-la, não tinha muito mais o que falar para ela. Com o aparelho celular na mão ele decidia se deveria atender ou não quando ouviu um grito, "Cuidado!", seguido de um estrondo e a visão de uma pessoa voando por seu para-brisa.

Seu carro preto estava agora vermelho de sangue, com os vidros quebrados e a poucos metros de um corpo caído no chão. Max tinha atropelado alguém.

Ao som de:
George Harrison - Beware of Darkness
http://www.youtube.com/watch?v=OBMCxD5Q2O8

domingo, 30 de agosto de 2009

Noite Quente de Inverno

Era uma noite quente, de um mês qualquer do inverno, por mais que isso possa parecer contraditório. Após algumas doses de whisky e olhares vazios para o fundo do copo, ele achava que precisava respirar.

Anos se passaram desde a última vez que ele conseguiu olhá-la nos olhos com apenas felicidade e nada mais. Depois era só cobrança, estresse, culpa e acusações. As vezes com alguma felicidade. As vezes, sem nada de bom. Ele já tinha se acostumado com a nova vida, com a nova fase, mas ainda sentia o peso da decisão, da iniciativa, da responsabilidade. Principalmente nas noites de sábado.

Thomas sempre foi um cara estranho. Pelo menos, em comparação com o que é esperado de alguém normal. Sempre tenso, nervoso. Intenso. Isso assustava as pessoas e a ele mesmo. Não é o tipo de cara que consegue apenas perguntar da família e do trabalho. Não é o cara mais indicado para uma conversa casual.

Suas habilidades políticas se resumiam a um título de eleitor usado a cada par de anos. As relações humanas nunca foram seu forte. Um punhado de (bons) amigos e um milhão de pessoas que o entediavam como ninguém jamais entenderia. Apesar de coerente, só ele percebia suas incoerências.

Mas hoje Thomas estava diferente, de um jeito que nem ele entenderia como. Sentia-se ainda distante do seu objetivo principal, embora não tivesse muito claro que objetivo era esse ou como fazer para alcançá-lo. Avaliava minuto a minuto de seu dia, perdendo metade da vida apenas analisando seus próprios atos. Sua comparação era apenas com ele mesmo, contra sua existência, contra seus momentos bons, contra seus sorrisos e suas lágrimas.

Ao levantar para ir até a rua, olhar a lua, respirar, Thomas adormeceu. Desajeitado, sem preocupação, dormiu no corredor, entre uma pilha de livros e um quadro de Kostabi. Todo o peso que carregava foi desabando, tonelada a tonelada, bloco por bloco, pelas coisas boas que percebia no sonho.

Conseguiu relaxar, sorrir, sonhar. Teve vontade de fotografar os momentos, tentando parar o tempo e apenas um frame seria suficiente para eternizar aquele momento. Se apaixonou, principalmente, por quem ele era e por como estava se sentindo. Ele queria manter aquele momento, aquele sonho, e se apegou a tudo que o rodeava: cheiros, texturas, gostos, cores, sons. De uma forma, parecia que ele tinha encontrado o pote de ouro no fim do arco-íris, embora sua vida estivesse monocromática no momento.

No momento em que estava se sentindo mais próximo, mais seguro, mais confiante, tudo desabou. Ele conseguia sentir aquele sonho escorrendo pelos dedos, era possível tocar cada centímetro de felicidade que evaporava entre seus dedos e deixava vestígios por tudo que passava: olhos, boca, pele, paredes, vidros, roupas.

De um jeito, a sua maneira, Thomas estava muito irritado e deprimido, principalmente porque tinha se acostumado, e até certo ponto se apegado a decepção e a angústia de ser infeliz, de ser miserável e esse sonho estava tirando isso dele. Fez ele enxergar que um mundo melhor era possível, era tangível e que ele seria merecedor disso tudo. Que de repente e em breve a melancolia agoniante seria substituída.

E então, como um gole de bebida ruim, ele foi cuspido e descartado, sem ter controle nenhum sobre o que acontecia ou aconteceria. Sem poder provar que ele era genuinamente merecedor daquela felicidade e que poderia fazer dela algo melhor ainda. Foram duas semanas de insônia e uma semana inteira de sono tranquilo e sonho, para então acordar e ficar pior do que estava.

Após algumas noites em claro, ao vasculhar uma gaveta procurando por chaves e parafusos, encontrou um porta-retratos e o que mais impressionava Thomas era uma foto, que ele não lembrava ter vivido, apenas sonhado.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

A twit, a tweet or a twat?

Até eu tô nessa porcaria de twitter...

Tá ganhando do blog, em posts, pois é muito mais rapido, mas sinto falta de escrever aqui...
Mas perde de lavada para o meu Xbox 360.

Na verdade, sinto falta do tempo que tinha para escrever aqui...

Sinto falta de um monte de coisa.

http://www.twitter.com/OttoSporteman

Comecei a escrever um livro. O terceiro ou quarto que começo. O terceiro ou quarto que não acabo.

Pretendo, um dia, acabar todos.

Não quero acabar com todos, vocês, que fique bem claro, pois isso pode ser lido na internet como mensagem terrorista e é capaz dos capangas do Obama me prenderem.

Ou ao menos não quero escrever isso na internet.

Whatever.

sexta-feira, 6 de março de 2009

Otto Sporteman 360

A tecnologia me fascina cada vez mais!

Eu tenho esse blog e meu Xbox 360 tem esse:
Blog

É verdade! Cada vez que eu jogo, ele atualiza. Na verdade, eu nem preciso jogar... Ele tem uma rotina específica que vai dando um update conforme minhas atividades na Live (rede da M$)...

Impressionante!

Pelo menos ele sabe que eu tenho uma vida, e não é muito possessivo... Ele me respeita!

Ronald Regan-ism: "
I recently learned something quite interesting about video games. Many young people have developed incredible hand, eye, and brain coordination in playing these games. The air force believes these kids will be our outstanding pilots should they fly our jets."

quarta-feira, 4 de março de 2009

Dance, Dance



H. P. Lovecraft-ism: "Almost nobody dances sober, unless they happen to be insane"

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Street of Dreams



House-ism: "See, that is exactly the kind of brilliance that sounds deep, but you could say it about any person who doesn't pine for the social approval of everyone he meets - which you were cleverly able to deduce about me by not being a moron. Next time, tell God to be more specific."

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

100% de esforço onde houver 1% de chance

Bukowski-ism: "Somebody at one of these places asked me: "What do you do? How do you write, create?" You don't, I told them. You don't try. That's very important: not to try, either for Cadillacs, creation or immortality. You wait, and if nothing happens, you wait some more. It's like a bug high on the wall. You wait for it to come to you. When it gets close enough you reach out, slap out and kill it. Or if you like it's looks, you make a pet out of it."


terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

A Chave

Durante anos ele lutou por isso. Matou, roubou, mentiu, enganou, manipulou, agiu contra seus princípios, foi violado, violentado, destruído. Tudo por essa chave. Tudo por esse momento.


Perdeu amigos, destruiu famílias, magoou sentimentos, estraçalhou esperanças, construiu fortalezas de ódio e rancor para conseguir proteger seu objetivo: sair dali.

E agora estava com a chave nas mãos. Faltava pouco, queria voltar, queria recomeçar do zero, começar tudo de novo ao invés de acabar pela primeira vez. Fazia muito tempo que se sentia acorrentado, mesmo quando corria livre pela mata, sem ninguém ao seu lado. E agora estava com tudo nas mãos: a chave, o motivo, a força e o portão.
Colocou a chave devagar, girou-a com cuidado. Esse é o tipo de momento que um homem deve aproveitar e valorizar, mas quase nunca consegue. Sempre há pressa, tensão, tesão, medo. Dessa vez, havia esperança, realização, conclusão.

Mesmo se fosse para retornar, um dia, ele precisava fazer isso. Esse hospício já não era uma casa muito sã há anos, e há anos ele se sentia são.

As travas foram soltas, os parágrafos justificados e o portão se abriu. Ele deu o primeiro passo, estava prestes a descobrir o que acontece na vida quando alguém faz o que quer com ela.


Foi quando ele pensou: era realmente isso que ele queria? Preferia ele enxergar onde todos eram cegos ou ser mais um cego onde nem todos enxergavam? Era isso que ele queria ou era isso que era esperado que ele fizesse?

O que aconteceria? O que seria dele, após cruzar aquele portão? Se ele quizesse, conseguiria voltar? Seria ele capaz de conviver com tudo que fez, ali dentro, fora dali?

Qual o peso da culpa? Qual o peso da alma?

Por quanto tempo essa cortina de fumaça ainda ia cegar seus olhos?

Valeria a pena exergar?

É preciso perguntar, sem esperar resposta.

House-ism: "This is a mistake. I don't know how to have casual conversation. You think you're talking about one thing, and either you are and it's incredibly boring, or you're not because it's subtext and you need a decoder ring."

Ao som de: Tom Petty - Echo

Put down your things and rest awhile
You know we've both nowhere to go
Yeah, daddy had to crash
He was always halfway there you know
And no, I don't pretend there's any more of that
They say one day, you'll look up and laugh and hear

The same sad echo when you walk
Yeah, the same sad echo when you talk loud and clear
It's the same as the same sad echo around here

I promise you this winter
I will worship you like gold
And ride your train forever
Electric fortunes to be told
And I don't want to question or even celebrate
All the joy you took and then gave back too late

It's the same sad echo when you lie
It's the same sad echo when you try to be clear
It's the same as the same sad echo around here

Well, I woke up right here
In a pool of sweat
With a box of pills and you
Yeah, and I'm gonna keep my head
I'm gonna keep my cool
Oh, I'm so in love with you
Yes and in another world nothing was like this
There may have been a girl
There never was a kiss

The poison came in liquid
She was naked all the time
And no one could explain it
It was all between the lines
And I don't seem to trust anyone no more
It could be faith I'm just not sure

It's the same sad echo every day
Yeah the same sad echo another way
When you call
It's the same as the same sad echo most of all

Well you just got tired
You just gave in
You took it hard
Then you just quit
You let me down
You dropped the ball
You fell on your face most of all
And I don't want to mean anything to you
I don't want to tempt you to be true

It's the same sad echo comin' down
It's the same sad echo all around in my ears
It's the same as the same sad echo around here